
Talvez uma das perguntas mais importantes que um pai deveria fazer hoje não seja:
“Quanto tempo meu filho passa no celular?”
Mas:
“Quem ele está vendo durante todo esse tempo?”
Porque aquilo que uma criança observa repetidamente começa a definir o que ela considera importante, desejável e possível.
E uma história recente da China trouxe essa discussão para o centro das atenções.
Cientistas no lugar dos anúncios
Em 2026, grandes painéis de áreas comerciais e estações de metrô em diferentes cidades chinesas passaram a exibir os rostos de cientistas como Qian Xuesen, Deng Jiaxian, Yuan Longping e Tu Youyou, em espaços normalmente ocupados por publicidade comercial e celebridades.
O movimento começou em centros comerciais e se espalhou para diferentes regiões do país, chamando a atenção de moradores e da imprensa.
A mensagem por trás das imagens é poderosa:
quem uma sociedade coloca no palco diz muito sobre aquilo que ela deseja que a próxima geração valorize.
Qian Xuesen foi uma figura central no desenvolvimento aeroespacial chinês.
Tu Youyou recebeu o Nobel de Medicina em 2015 por seu trabalho relacionado à artemisinina, usada no tratamento da malária.
Yuan Longping tornou-se mundialmente conhecido por seu trabalho com arroz híbrido.
Em vez de mostrar apenas pessoas famosas por sua visibilidade, aqueles espaços começaram a mostrar pessoas reconhecidas pelo que construíram, descobriram e resolveram.
E é aqui que essa história deixa de ser apenas sobre a China.
Ela passa a ser sobre nossas casas.
A influência das redes sociais começa pela repetição
Durante décadas, televisão, cinema, publicidade e revistas ajudaram a criar nossos modelos de sucesso.
Hoje existe algo muito mais poderoso.
O feed.
A criança não precisa mais esperar o programa de televisão começar.
Ela carrega seus modelos de comportamento no bolso durante praticamente o dia inteiro.
E cada vez que abre o celular encontra exemplos de:
dinheiro rápido, ostentação, beleza, consumo, fama, polêmica, viagens, carros, corpos perfeitos e vidas aparentemente perfeitas.
O problema não é uma criança ver alguém rico, famoso ou bem-sucedido.
O problema começa quando ela passa a acreditar que sucesso é apenas aquilo que aparece na tela.
Porque nosso cérebro aprende observando modelos.
Crianças não aprendem apenas com aquilo que você fala
Um dos experimentos mais conhecidos da psicologia foi conduzido por Albert Bandura e seus colegas no início da década de 1960.
No chamado experimento do Bobo Doll, crianças observaram adultos apresentando determinados comportamentos agressivos diante de um boneco.
Posteriormente, muitas reproduziram comportamentos semelhantes.
O estudo tornou-se uma das referências da teoria da aprendizagem social: observar outras pessoas influencia a aquisição de comportamentos.
Isso deveria fazer qualquer pai refletir.
Nós nos preocupamos com aquilo que falamos para nossos filhos.
Mas precisamos nos preocupar também com aquilo que eles observam todos os dias.
Você pode falar:
“Estude.”
“Trabalhe.”
“Construa seu futuro.”
“Tenha disciplina.”
Mas, se durante quatro ou cinco horas por dia o adolescente consome conteúdo mostrando que reconhecimento vem de aparência, consumo e exposição, existe uma competição acontecendo pela atenção dele.
Quem você admira muda aquilo que você acredita ser possível
Existe outro ponto ainda mais interessante.
Não basta mostrar grandes pessoas.
Precisamos mostrar também como elas chegaram lá.
Uma pesquisa publicada no Journal of Educational Psychology acompanhou 402 estudantes do ensino médio.
Parte dos alunos leu apenas sobre as conquistas de grandes cientistas como Albert Einstein, Marie Curie e Michael Faraday.
Outros conheceram também suas dificuldades pessoais, erros, fracassos e obstáculos.
Depois de seis semanas, os estudantes que conheceram as dificuldades dos cientistas apresentaram melhora no desempenho em ciências, com efeito especialmente importante entre alunos que anteriormente apresentavam resultados mais baixos.
Existe uma lição extraordinária nisso.
Quando mostramos apenas o gênio, a criança pensa:
“Ele nasceu diferente.”
Quando mostramos o caminho, ela pode pensar:
“Talvez eu também consiga.”
É exatamente por isso que precisamos tomar cuidado com os ídolos que criamos.
Seu feed é o seu outdoor
Talvez você não consiga mudar os outdoors da sua cidade.
Mas existe um outdoor que você controla.
Seu feed.
E também pode ajudar seus filhos a controlar o deles.
Faça um teste.
Abra o Instagram, TikTok ou YouTube e observe as primeiras vinte pessoas que aparecem.
O que elas representam?
Conhecimento?
Empreendedorismo?
Ciência?
Esporte?
Disciplina?
Arte?
Construção?
Ou apenas consumo, fofoca, polêmica e ostentação?
Porque aquilo que ocupa repetidamente sua atenção começa, pouco a pouco, a ocupar também seus pensamentos.
E pensamentos repetidos influenciam decisões.
Decisões repetidas viram comportamentos.
Comportamentos repetidos viram hábitos.
E hábitos, ao longo dos anos, ajudam a construir destinos.
Não precisamos proibir tudo. Precisamos melhorar as referências.
A solução não é criar nossos filhos dentro de uma bolha.
Também não significa dizer que entretenimento é ruim ou que ninguém deveria acompanhar artistas, atletas ou influenciadores.
A discussão é sobre proporção.
Quem são os outros modelos?
Seu filho conhece grandes empreendedores?
Cientistas?
Inventores?
Escritores?
Professores?
Médicos?
Pesquisadores?
Atletas disciplinados?
Pessoas que construíram algo relevante?
Porque não adianta exigir ambição de uma criança se ela nunca vê exemplos daquilo que poderia construir.
Você não deseja aquilo que nem sabe que existe.
Por isso, uma das formas mais simples de mudar seu futuro é ampliar aquilo que entra no seu campo de visão.
Troque seus ídolos e você começa a trocar seu futuro
Existe uma ação extremamente simples que você pode fazer hoje.
Abra suas redes sociais.
Pare de seguir três perfis que apenas roubam sua atenção.
Depois escolha três pessoas que já construíram algo que você gostaria de construir.
Faça isso também com seus filhos.
Não precisa transformar tudo de uma vez.
É a lógica do 1% Melhor Todo Dia.
Uma pequena mudança no ambiente.
Uma referência melhor.
Um vídeo melhor.
Um livro melhor.
Uma conversa melhor.
Um exemplo melhor.
Porque talvez uma das maiores responsabilidades que temos como adultos seja mostrar para a próxima geração que existem coisas muito maiores para perseguir do que simplesmente ser conhecido.
Existe diferença entre aparecer e construir.
Entre chamar atenção e gerar valor.
Entre ter seguidores e deixar legado.
A pergunta final é simples:
Quem está ensinando seus filhos sobre aquilo que vale a pena desejar?
Você?
Os professores?
Os livros?
Os grandes exemplos da humanidade?
Ou o algoritmo?
Escolha bem.
Porque aquilo que uma criança vê repetidamente hoje pode ajudar a definir aquilo que ela tentará se tornar amanhã.
No meu canal do YouTube, eu falo sobre comportamento, cérebro, hábitos, disciplina, dopamina e como construir uma vida 1% melhor todos os dias, usando ciência e aplicação prática.
Se você quer sair da distração e começar a construir com mais intenção, acompanhe meus conteúdos.
Não precisamos mudar nossa vida inteira amanhã.
Precisamos apenas escolher melhor aquilo que alimentamos hoje.
1% Melhor Todo Dia.